

“Ela só queria ser notada, ao menos uma vez. Queria ter o gosto de passar perto de ti e vê-lo virando o pescoço, mas não pela sua beleza, que na verdade não era muita, mas queria que a visse com os mesmos olhos com que ela começara a vê-lo há uma ou duas semanas atrás. Ela quer atenção, quer carinho, quer amor. Ninguém nota, e ela não diz, pois diferente do que muitos pensam, ela também ama. Ela já quebrou a cara como tantos outros, mas ao contrario de muitos, não tem medo de dar sua cara a tapas novamente. Essa moça é forte, digo até que tem o pé no chão, sonha alto sem medo da altura da qual pode cair. Ela corre atrás, luta por seus objetivos, sem medo de se decepcionar, pois pra ela “decepção é como ralar o joelho, na hora dói, arde e até sai um pouco de lágrimas dos olhos, mas nada como o tempo para curar”. Para ela não há nada como um dia após o outro. Se hoje choras, esteja certo de que amanhã estará sorrindo. Estou lhe dizendo, nada abala essa menina. Nada e nem ninguém. E olha moço, ela fará de tudo um pouco para conquista-lo, mas quando ver que não vale mais a pena, quando ela realmente perceber que esta perdendo tempo, ela volta a viver sua vida, volta a se apaixonar, viver outra aventuras. Então não demore para perceber o quanto ela é especial, pois depois de amanhã pode ser tarde demais. E ela… ah esta gosta de coisas novas, principalmente quando se cansa das velhas, então se não quiser fazer parte desse passado frustante e dessa época que um dia sera apagada automaticamente da memória dela, te vira e não se acanhe, diga o que realmente quer. E se aceitar fazer dela tua, que faça-a feliz, viu moço? Pois forte ela é, mas já sofreu tudo que tinha de sofrer, e esta moça merece mais é ser feliz. E que se tiver de ama-la, que ame por mim, por ti e por todos os outros que passaram a nota-la tarde demais. Que ame-a com todas as tuas forças. Ame-a com um jeito com que ela se sinta notada e que se sinta especial…” — Sara Vieira

Pô coração, qual era o nosso trato? Que você me controla-se e que me ajuda-se para que nunca mais me apaixona-se. Mas você é burro mesmo, conseguiu me deixar de olhos brilhando novamente. Ta, eu sei que não devia ficar admirando aquele sorriso, mas é que… Ah coração, dê-me um desconto, sabes que amo sorrisos. E eu ficaria muito grata se continua-se a amar apenas o sorriso daquele moço, e não ele por inteiro. Já chega, cansei de relacionamentos que não me levam a nada. Cansei de me olharem com outros olhos, a não ser os da paixão. Não quero voltar a ser aquela garotinha frágil, que se doía toda quando lembrava que ele não a queria. Quero ser mulher, ser moça forte, aquela que homem nenhum consegue dominar, quero ser apenas eu. Apenas a moça que torna-se feliz só de ouvir os trovões que lhe avisam: “lá vem chuva”. Quero ser apenas aquela, que ao invés de desejar um homem, deseja e venera aquele livro que esta na vitrine da livraria a algumas semana. Apenas a moça apaixonada por palavras e cobertores. Não quero amor nenhum, nada que possa me causar dor. Quero apenas me amar, e amar o meu casaquinho de tricô, nada e nem ninguém a mais que isso. Quero apenas ser eu, assim toda torta mesmo, e com esse meu jeito nada encantador. — Sara Vieira

Eu sei, isso lá é coisa que se peça? Mas sabe, pedi tanto para não me apaixonar, posso dizer que até implorei. E não por ele, mas por mim, estava tão feliz com meu coração vazio, bombeando seu sangue apenas para o meu viver. Estava tão feliz sem aqueles ataques de ciúmes que me dão quando o vejo apenas conversando com outra. Eu estava feliz sem um amor. Não que eu não esteja feliz em estar apaixonada, mas é que o amor me machuca tanto. Paixão para mim é sinônimo de dor. E que me chamem de tola, idiota e tantos outros nomes, mas não hão de mudar minha opinião. Queres apaixonar-se? Parabéns, tu tens tamanha coragem. Já eu, fujo da paixão e do amor, fujo dos olhos e do sorriso daquele garoto pois sei, que futuramente farão lágrimas rolarem por este meu rosto que guarda marcas de solidão. Quero apenas amar meu quarto e minha coleção de discos de vinil. Apenas meus materiais que se tornaram tão sentimentais. Nenhum alguém a não ser o cãozinho que brinca comigo quando sento-me na calçada. Não quero nenhum companheiro a não ser o meu querido maço de cigarros e a solidão que me rodeia a tanto tempo. Nada mais do que a minha vidinha antiga, na qual muitos me definiam como fria. Pois bem, antes um coração frio, do que um coração machucado. E por isso eu peço de olhos fechados e de dedos cruzados, “que seja só ilusão, que seja só ilusão, que seja qualquer coisa, mas que não seja paixão, que não seja amor”. - Sara Vieira